quinta-feira, 9 de junho de 2011

Missa na AAPC

Nesta quinta-feira (09), às 15:00h, houve uma Celebração Eucarística, com a presença dos voluntários e pacientes da AAPC (Associação de Apoio de Pessoas com Câncer), na mesma. Presidida por Pe. Ibís, (reitor do seminário de Juazeiro e Barra), a missa foi bastante participativa por parte de todos, tendo momentos de forte emoção durante a celebração. Na homilia, o padre falou da importância de acreditar no amor e na presença de Deus em nossa vida, principalmente nos momentos de sofrimento, independente de religião. Em outras palavras, ele disse: "Deus, é um Deus que caminha conosco".

Sabemos que, quem convive com o câncer, por muitas vezes, a pessoa é tomada pela fragilidade e instabilidade, por isso, momentos fortes assim, o indivíduo é tocado e aliviado. Era perceptível, a alegria  e felicidade no rosto das pessoas durante toda a celebração.

Houve também uma intenção em ação de graças pelo aniversário da Srª Djanira, (coordenadora), que no final recebeu o parabéns de todos, finalizando assim, com a partilhando do bolo.

No final da celebração, o padre se prontificou em também poder cooperar com a associação, naquilo que ele puder. Agradeceu o convite e o acolhimento, prometendo voltar lá.

Veja as fotos da Missa clicando aqui.

Gilmar Loiola
Seminarista  

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Plano de fundo

sábado, 29 de janeiro de 2011

Estrogênio pode ajudar a prevenir Câncer de mama

Hormônio tem efeito protetor quando ingerido durante a terapia de reposição hormonal

Nossa análise sugere que, ao contrário do que se imaginava, há um valor substancial em utilizar o estrogênio na terapia de reposição hormonal. Os dados mostram que, para determinadas mulheres, ele não é apenas seguro, mas potencialmente benéfico contra o câncer de mama, assim como para outros aspectos da saúde feminina — disse o pesquisador Joseph Ragas, oncologista da Faculdade de Medicina da Universidade de British Columbia, no Canadá. Ragaz e outros pesquisadores reviram e analisaram dados de um estudo epidemiológico realizado entre mulheres que faziam testes de reposição hormonal. O objetivo desse estudo, o Women's Health Initiative (WHI), é prevenir doenças cardíacas, câncer de mama e colorretal e fraturas em mulheres na pós-menopausa. Ele foi lançado em 1991 e inclui dados de cerca de 161 mil mulheres entre 50 e 79 anos.

Nas últimas três décadas, a terapia de reposição hormonal tem sido usada quase que indiscriminadamente por mulheres que esperam melhorar a qualidade de vida de forma geral. Originalmente, os resultados do WHI sugeriam que a terapia não fazia bem à saúde — recorda Ragaz. O estudo é formado por dois grupos de mulheres: as que não têm útero e tomam apenas estrogênio e aquelas que não retiraram o órgão e fazem terapia com estrogênio e progestina (hormônio sintético). Ragaz reavaliou os dados do WHI e descobriu que as voluntárias sem histórico familiar de câncer de mama que receberam apenas o estrogênio tiveram uma redução de mais de 70% na incidência da doença.

Essa redução é uma nova descoberta, porque o estrogênio sempre foi associado à alta incidência do câncer de mama, mas agora sabemos que, administrado de forma exógena (sem ser produzido naturalmente pelo organismo), ele é, na verdade, um protetor — diz.
De acordo com o médico, são necessários mais estudos para determinar o tratamento ideal, definir o perfil de mulheres beneficiadas e entender melhor o mecanismo do hormônio no processo de prevenção do câncer de mama.

Combinação de remédios

Outra forma de reduzir um tipo de câncer de mama, o HER-2 positivo, considerado um dos mais agressivos, também foi descrita na reunião da Associação Americana para Pesquisa sobre o Câncer. Segundo o Centro de Câncer do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, a combinação de três substâncias já aprovadas e existentes do mercado melhorou a resposta do tumor, comparando-se à ação dessas drogas sozinhas. O principal autor da pesquisa, José Baselga, chefe da Divisão de Hematologia e oncologia do hospital, diz que dados iniciais indicam uma taxa de remissão total de 50% — o índice foi de 20% nas mulheres que tomaram apenas uma das substâncias.

Já havia sido sugerido em pequenos estudos clínicos que a combinação de lapatinibe, trastuzumabe e paclitaxel seria mais efetiva que cada uma dessas drogas sozinhas, mas essa é a primeira vez que provamos isso em uma pesquisa de larga escala — disse Baselga.

O destaque

Na área de pesquisas que podem levar ao desenvolvimento de novos tratamentos, o destaque foi um estudo publicado na revista Cancer Research. Cientistas do Centro de Câncer Kimmel da Universidade Thomas Jefferson, nos EUA, conseguiram provar uma antiga suspeita: a de que inflamações nas mamas são a chave do desenvolvimento e da progressão do câncer. Em uma experiência feita com ratos, eles demonstraram que os processos inflamatórios dentro das mamas promovem o crescimento das células cancerígenas. Eles também demonstraram que, ao desativar a inflamação, é possível evitar o câncer.

Preocupação feminina, o que é?

Câncer de mama é o desenvolvimento anormal das células do seio. Essas estruturas crescem de forma desordenada e substituem o tecido saudável. O câncer normalmente começa com um pequeno nódulo, que pode crescer e se espalhar para áreas próximas à mama acometida, como os músculos, a pele e as axilas.

Sintomas

- Nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não de dor mamária
- Alteração no tamanho ou na forma da mama
- Alteração no aspecto da mama, da auréola ou do mamilo
- Saída de secreção pelo mamilo, sensibilidade mamilar ou inversão do mamilo para dentro da mama
- Sensações como calor, inchaço, rubor ou escamação
- Podem também surgir nódulos palpáveis na axila
- Enrugamento ou endurecimento da mama (a pelo adquire um aspecto de casca de laranja)

Fatores de risco

- Histórico familiar, especialmente se um ou mais parentes de primeiro grau (mãe ou irmã) tiveram a doença antes dos 50 anos
- Primeira menstruação precoce e menopausa tardia
- Idade avançada
- Ocorrência da primeira gravidez após os 30 anos
- Não ter tido filhos
- Uso precoce de contraceptivos orais ou por período prolongado de tempo
- Ingestão regular de álcool, mesmo que em quantidade moderada
- Exposição a radiações ionizantes em idade inferior aos 35 anos

Detecção precoce

Embora seja uma doença tratável, a descoberta precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Quanto antes o tumor maligno for descoberto, seja por meio de mamografias ou de exames clínicos, maiores as chances de remissão da doença.

Alertas do Google

Uma novidade na luta contra o câncer de mama foi apresentada em dezembro, na reunião anual da Associação Americana para Pesquisa sobre o Câncer (AACR). Surpreendentemente, o hormônio estrogênio, conhecido na literatura médica por ser um fator de risco carcinogênico, pode proteger as mulheres contra o tumor maligno. Embora a forma endógena do hormônio, ou seja, aquela produzida pelos ovários, tenha ligação com o aparecimento do câncer, quando ingerido durante a terapia de reposição hormonal, diminui os riscos da neoplasia.

Tumores pré-históricos geram debate sobre o câncer

Descobertas arqueológicas questionam crença de que câncer seja doença do homem moderno

Quando escavaram uma colina de sepultamento na região russa de Tuva, há aproximadamente dez anos, os arqueólogos literalmente encontraram ouro. Encurvados no chão de uma sala interna havia dois esqueletos, um homem e uma mulher, cercados por indumentárias reais de 27 séculos atrás: toucas e mantos adornados com imagens de ouro de cavalos, panteras e outros animais sagrados. Mas para os paleopatologistas (estudiosos de doenças antigas)-, o tesouro mais rico era a abundância de tumores em praticamente todos os ossos do corpo masculino. O diagnóstico: o caso de câncer na próstata mais antigo de que se tem notícia.

A próstata em si já havia se desintegrado há muito tempo. Porém, células malignas da glândula haviam migrado seguindo um padrão familiar, deixando cicatrizes identificáveis. Proteínas extraídas do osso testaram positivo para PSA (sigla em inglês para antígeno prostático específico).

Frequentemente considerado uma doença moderna, o câncer sempre esteve conosco. Onde os cientistas discordam é sobre o quanto ele foi amplificado pelos doces e amargos frutos da civilização. Ao longo das décadas, arqueólogos descobriram cerca de 200 casos possíveis de câncer datando de tempos pré-históricos. No entanto, considerando-se as dificuldades de extrair estatísticas de ossos antigos, isso significa pouco ou muito?

Um recente relatório de dois egiptólogos, publicado na revista "Nature Reviews: Cancer", revisou a literatura, concluindo que existe uma "arrebatadora raridade de malignidades" em antigos restos mortais humanos.

Doença da era moderna
"A raridade do câncer na antiguidade sugere que tais fatores se limitam a sociedades que são afetadas por questões da vida moderna, como o uso do tabaco e a poluição industrial", escreveram os autores, A. Rosalie David, da Universidade de Manchester, e Michael R. Zimmerman, da Universidade Villanova. Também entram na lista obesidade, hábitos alimentares, práticas sexuais e reprodutivas, e outros fatores frequentemente alterados pela civilização.

Na internet, relatos da mídia fizeram a questão soar inequívoca: "O câncer é uma doença criada pelo homem"; "A cura para o câncer: viver como em nos velhos tempos". Mesmo assim, muitos especialistas médicos e arqueólogos ficaram não ficaram tão impressionados.

"Não existem razões para achar que o câncer é uma doença nova", disse Robert A. Weinberg, um pesquisador de câncer do Instituto Whitehead de Pesquisa Biomédica, em Cambridge, Massachusetts, e autor do livro didático "A Biologia do Câncer". "Em tempos passados, a doença era menos comum porque as pessoas acabavam morrendo cedo, por outros motivos".

Outra consideração, segundo ele, é a revolução na tecnologia médica: "Hoje, nós diagnosticamos muitos cânceres, como de mama e de próstata, que, em épocas passadas, teriam passado despercebidos e sido levados ao túmulo quando a pessoa morresse de outras causas, não relacionadas".

Amostra pequena
Mesmo com tudo isso sendo contabilizado, existe um problema fundamental em estimar a ocorrência de câncer na antiguidade. Duzentos casos podem não parecer muito. Mas a escassez de evidências não é uma prova de escassez. Tumores podem permanecer ocultos dentro dos ossos, e aqueles que fazem seu caminho para fora podem fazer com que o osso se desintegre e desapareça. Mesmo com todos os esforços dos arqueólogos, somente uma fração da pilha de ossos humanos foi coletada, sendo impossível saber o que permanece escondido por baixo.

Anne L. Grauer, presidente da Associação de Paleopatologia e antropóloga da Universidade Loyola de Chicago, estima que existam cerca de 100 mil esqueletos nas coleções osteológicas do mundo todo, e uma grande maioria não foi examinada por raios-X ou estudada com técnicas mais modernas.

Segundo uma análise da Agência de Referência da População, o total acumulado de todos que viveram e morreram até o ano 1 d.C. já se aproximava de 50 bilhões, e havia quase dobrado em 1750 (essa análise refuta a comum afirmação de que haveria mais pessoas vivas hoje do que o total que já viveu na terra). Se essa conta se confirmar, o número de esqueletos no banco de dados arqueológico mal representaria um décimo milésimo de 1 por cento do total.

Nessa minúscula amostra, nem todos os restos mortais estão completos. "Por um bom tempo, os arqueólogos só coletaram crânios", afirmou Heather J.H. Edgar, curadora de osteologia humana do Museu Maxwell de Antropologia da Universidade do Novo México. "Para a maioria, não há como saber o que o resto dos esqueletos poderia dizer sobre a saúde daquelas pessoas".

Então como os cientistas podem avaliar, por exemplo, a importância dos poucos exemplos fossilizados de osteossarcoma, um raro câncer nos ossos que afeta principalmente pessoas jovens? O caso mais antigo foi provavelmente encontrado em 1932, pelo antropólogo Louis Leakey, num parente pré-histórico do homem. Hoje, a incidência anual de osteossarcoma entre jovens com menos de 20 anos é de aproximadamente cinco casos a cada 1 milhão de pessoas.

"Seria preciso examinar dez mil indivíduos para encontrar um caso", disse Mel Greaves, professor de biologia celular no Instituto de Pesquisa do Câncer, na Inglaterra, e autor de "Cancer: The Evolutionary Legacy" (Câncer: O legado evolutivo, em tradução livre). Ainda não foi examinado um número suficiente de restos mortais adolescentes, disse ele, para chegar a uma conclusão significativa.

Existem mais complicações: mais de 99 por cento dos casos de câncer se originam não nos ossos, mas em órgãos mais macios, que entram rapidamente em declínio. A menos que o câncer se espalhe para os ossos, ele provavelmente não será registrado.

Teoricamente, as múmias antigas seriam uma exceção. Porém, também aqui as descobertas foram poucas.

Apenas em raras ocasiões os patologistas conseguem colocar as mãos numa múmia comparativamente recente, como Ferrante I de Aragon, rei de Nápoles, morto em 1494. Quando seu corpo foi autopsiado, cinco séculos depois, descobriram que um adenocarcinoma, que começa em tecidos glandulares, havia se espalhado aos músculos da bacia.

Um estudo molecular revelou um erro tipográfico num gene que regula a divisão celular -- um G havia se tornado um A --, o que sugeria câncer colorretal. A causa, segundo os autores, poderia ser um consumo exagerado de carne vermelha.

Ao longo dos anos, centenas de múmias egípcias e sulamericanas geraram alguns outros casos. Um raro tumor, chamado rabdomiosarcoma, foi encontrado no rosto de uma criança chilena que viveu em algum ponto entre 300 e 600 d.C.

Zimmerman, co-autor da recente revisão, descobriu um carcinoma retal numa múmia do período entre 200 e 400 d.C., e ele confirmou o diagnóstico com uma análise microscópica do tecido _ a primeira, segundo ele, na paleopatologia egípcia.

"A verdade é que o número de múmias e esqueletos realmente antigos com evidências de câncer é insignificante", explicou ele. "Simplesmente não conseguimos encontrar nada como a incidência moderna de câncer".

Embora a expectativa de vida média fosse menor no Egito antigo do que atualmente, Zimmerman afirma que muitos indivíduos, especialmente os ricos, viviam tempo o bastante para contrair outras doenças degenerativas. Sendo assim, por que não o câncer?

Outros especialistas sugeriram que a maioria dos tumores teria sido destruída pelos invasivos rituais da mumificação egípcia. Porém, num estudo publicado em 1977, Zimmerman mostrou que era possível as evidências sobreviverem.

Em um experimento, ele coletou o fígado de um paciente moderno que havia sucumbido ao câncer metastático no cólon, o secou num forno e em seguida o reidratou _ demonstrando, segundo ele, que "as características do câncer são bem preservadas pela mumificação, e que tumores mumificados ficam, na realidade, mais bem preservados que o tecido comum".

Quanto aos esqueletos, porém, o problema permanece: considerando-se o tamanho reduzido da amostra, exatamente quanto de câncer os cientistas deveriam esperar encontrar?

Para se ter uma ideia por alto, Tony Waldron, paleopatologista da University College London, analisou relatos de mortalidade humana de 1901 a 1905 _ período recente o bastante para garantir registros razoavelmente bons, e antigo o bastante para evitar contaminar os dados com, por exemplo, o pico do câncer de pulmão nas últimas décadas devido à popularidade do cigarro.

Contabilizando variações na expectativa de vida e a probabilidade de diferentes males se espalharem aos ossos, ele estimou que, numa "montagem arqueológica", o câncer poderia ser esperado em menos de 2 por cento dos esqueletos masculinos, e entre 4 e 7 por cento dos esqueletos femininos.

Andreas G. Nerlich e colegas, em Munique, testaram a previsão em 905 esqueletos de duas necrópoles egípcias da antiguidade. Com a ajuda de raios-X e exames de tomografia computadorizada, eles diagnosticaram cinco cânceres _ número compatível com as expectativas de Waldron. E, conforme previam suas estatísticas, 13 cânceres foram encontrados em 2.547 restos mortais enterrados num ossário do sul da Alemanha entre 1400 e 1800 d.C.

Para ambos os grupos, segundo os autores, os tumores malignos "não apareceram numa quantidade significativamente menor que a esperada", em comparação com a Inglaterra do início do século 20. Eles concluíram que "a atual elevação da frequência de tumores nas populações presentes está muito mais relacionada ao aumento da expectativa de vida do que a fatores básicos ambientais ou genéticos".

Com tão pouco material para prosseguir, a arqueologia pode nunca obter uma resposta definitiva. "Podemos dizer que o câncer certamente existia, e provavelmente numa frequência menor do que a atual", disse Arthur C. Aufderheide, professor emérito de patologia na Universidade de Minnesota e co-autor da Enciclopédia de Paleopatologia de Cambridge. Esse pode ser o máximo de certeza que jamais teremos.

Conforme os cientistas continuam investigando, pode haver algum consolo em saber que o câncer não é inteiramente culpa da civilização. No curso natural da vida, as células de uma criatura precisam estar constantemente se dividindo _ milhões de vezes por segundo. Algumas vezes, algo sairá errado.

"Quando você cria complexos organismos multicelulares e permite que células individuais proliferem, o câncer se torna uma inevitabilidade", disse Weinberg, do Instituto Whitehead. "Ele é simplesmente uma consequência da crescente entropia, crescente desordem".

Ele não estava sendo fatalista. Ao longo das gerações, os corpos criaram barreiras formidáveis para manter células rebeldes na linha. Parar de fumar, perder peso, comer alimentos saudáveis e tomar outras medidas preventivas pode adiar o câncer por décadas. Até morrermos de outra coisa.

"Se vivêssemos por tempo suficiente", observou Weinberg, "mais cedo ou mais tarde todos nós teríamos câncer".

sábado, 27 de novembro de 2010

Radioterapia


Radioterapia

A radioterapia é um método capaz de destruir células tumorais, empregando feixe de radiações ionizantes. Uma dose pré-calculada de radiação é aplicada, em um determinado tempo, a um volume de tecido que engloba o tumor, buscando erradicar todas as células tumorais, com o menor dano possível às células normais circunvizinhas, à custa das quais se fará a regeneração da área irradiada.

As radiações ionizantes são eletromagnéticas ou corpusculares e carregam energia. Ao interagirem com os tecidos, dão origem a elétrons rápidos que ionizam o meio e criam efeitos químicos como a hidrólise da água e a ruptura das cadeias de ADN. A morte celular pode ocorrer então por variados mecanismos, desde a inativação de sistemas vitais para a célula até sua incapacidade de reprodução.

A resposta dos tecidos às radiações depende de diversos fatores, tais como a sensibilidade do tumor à radiação, sua localização e oxigenação, assim como a qualidade e a quantidade da radiação e o tempo total em que ela é administrada.

Para que o efeito biológico atinja maior número de células neoplásicas e a tolerância dos tecidos normais seja respeitada, a dose total de radiação a ser administrada é habitualmente fracionada em doses diárias iguais, quando se usa a terapia externa.

Radiossensibilidade e radiocurabilidade

A velocidade da regressão tumoral representa o grau de sensibilidade que o tumor apresenta às radiações. Depende fundamentalmente da sua origem celular, do seu grau de diferenciação, da oxigenação e da forma clínica de apresentação. A maioria dos tumores radiossensíveis são radiocuráveis. Entretanto, alguns se disseminam independentemente do controle local; outros apresentam sensibilidade tão próxima à dos tecidos normais, que esta impede a aplicação da dose de erradicação. A curabilidade local só é atingida quando a dose de radiação aplicada é letal para todas as células tumorais, mas não ultrapassa a tolerância dos tecidos normais.

Indicações da radioterapia

Como a radioterapia é um método de tratamento local e/ou regional, pode ser indicada de forma exclusiva ou associada aos outros métodos terapêuticos. Em combinação com a cirurgia, poderá ser pré-, per- ou pós-operatória. Também pode ser indicada antes, durante ou logo após a quimioterapia.

A radioterapia pode ser radical (ou curativa), quando se busca a cura total do tumor; remissiva, quando o objetivo é apenas a redução tumoral; profilática, quando se trata a doença em fase subclínica, isto é, não há volume tumoral presente, mas possíveis células neoplásicas dispersas; paliativa, quando se busca a remissão de sintomas tais como dor intensa, sangramento e compressão de órgãos; e ablativa, quando se administra a radiação para suprimir a função de um órgão, como, por exemplo, o ovário, para se obter a castração actínica.


Fontes de energia e suas aplicações

São várias as fontes de energia utilizadas na radioterapia. Há aparelhos que geram radiação a partir da energia elétrica, liberando raios X e elétrons, ou a partir de fontes de isótopo radioativo, como, por exemplo, pastilhas de cobalto, as quais geram raios gama. Esses aparelhos são usados como fontes externas, mantendo distâncias da pele que variam de 1 centímetro a 1 metro (teleterapia). Estas técnicas constituem a radioterapia clínica e se prestam para tratamento de lesões superficiais, semiprofundas ou profundas, dependendo da qualidade da radiação gerada pelo equipamento.  
Os isótopos radioativos (cobalto, césio, irídio etc.) ou sais de rádio são utilizados sob a forma de tubos, agulhas, fios, sementes ou placas e geram radiações, habitualmente gama, de diferentes energias, dependendo do elemento radioativo empregado. São aplicados, na maior parte das vezes, de forma intersticial ou intracavitária, constituindo-se na radioterapia cirúrgica, também conhecida por braquiterapia.


No quadro abaixo estão relacionadas as diversas fontes usadas na radioterapia e os seus tipos de radiação gerada, energias e métodos de aplicação.

Fonte

Tipo de radiaçãoEnergiaMétodo de aplicação
ContatoterapiaRaios X (superficial)10 - 60 kVTerapia
superficial


RoentgenterapiaRais X (ortovoltagem)100 - 300 kVTerapia semiprofunda
Unidade de CobaltoRaios gama1,25 MeVTeleterapia profunda
Acelerador LinearRaios X de alta energia e elétrons*1,5 - 40 MeVTeleterapia profunda
Isótopos radioativosRaios gama e/ou betaVariável conforme o isótopo utilizadoBraquiterapia


* Os feixes de elétrons, na dependência de sua energia, podem ser utilizados também na terapia superficial.

As unidades internacionalmente utilizadas para medir as quantidades de radiação são o röentgen e o gray. O röentgen (R) é a unidade que mede o número de ionizações desencadeadas no ar ambiental pela passagem de uma certa quantidade de radiação. Já o gray expressa a dose de radiação absorvida por qualquer material ou tecido humano. Um gray (Gy) corresponde a 100 centigrays (cGy).

Efeitos adversos da radioterapia

Normalmente, os efeitos das radiações são bem tolerados, desde que sejam respeitados os princípios de dose total de tratamento e a aplicação fracionada.Os efeitos colaterais podem ser classificados em imediatos e tardios. Os efeitos imediatos são observados nos tecidos que apresentam maior capacidade proliferativa, como as gônadas, a epiderme, as mucosas dos tratos digestivo, urinário e genital, e a medula óssea. Eles ocorrem somente se estes tecidos estiverem incluídos no campo de irradiação e podem ser potencializados pela administração simultânea de quimioterápicos. Manifestam-se clinicamente por anovulação ou azoospermia, epitelites, mucosites e mielodepressão (leucopenia e plaquetopenia) e devem ser tratados sintomaticamente, pois geralmente são bem tolerados e reversíveis.

Os efeitos tardios são raros e ocorrem quando as doses de tolerância dos tecidos normais são ultrapassadas. Os efeitos tardios manifestam-se por atrofias e fibroses. As alterações
de caráter genético e o desenvolvimento de outros tumores malignos são raramente observados. Todos os tecidos podem ser afetados, em graus variados, pelas radiações. Normalmente, os efeitos se relacionam com a dose total absorvida e com o fracionamento utilizado. A cirurgia e a quimioterapia podem contribuir para o agravamento destes efeitos.

Fonte: Controle do Câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. 2 ed. rev. atual. - Rio de Janeiro: Pro-Onco. 1993

Quimioterapia

O que é quimioterapia?

A quimioterapia é um tipo de tratamento para câncer que usa medicamentos para destruiras células cancerosas.

Como a quimioterapia funciona?

A quimioterapia funciona ao interromper ou retardar o crescimento de células de câncer, as quais crescem e se dividem rapidamente. Entretanto, a quimioterapia também pode danificar células saudáveis que se dividem rapidamente, como aquelas no revestimento da boca e intestino ou as que fazem o cabelo crescer. Os danos às células saudáveis ocasionam efeitos colaterais. Freqüentemente os efeitos colaterais melhoram ou somem depois que a quimioterapia termina.
O que a quimioterapia pode fazer?
Dependendo do tipo de câncer e seu estágio, a quimioterapia pode:
* Curar o câncer, quando a quimioterapia destrói as células cancerosas ao ponto que o médico não pode mais detectá-las no corpo e elas não retornam mais.
* Controlar o câncer, quando a quimioterapia impede o câncer de se espalhar retardando seu crescimento ou destruindo as células cancerosas que se espalharam a outras partes do corpo.
* Melhorar os sintomas do câncer, quando a quimioterapia diminui tumores que estão causando dor ou pressão.
Tipos de quimioterapia pela forma como é usada?
Algumas vezes a quimioterapia é usada como o único tratamento contra o câncer. Porém, mais freqüentemente, o paciente passa por quimioterapia juntamente com cirurgia, radioterapia ou terapia biológica. A quimioterapia pode:
* Diminuir o tamanho do tumor antes de cirurgia ou radioterapia. Esse tipo é chamado quimioterapia neoadjuvante.
* Destruir células cancerosas que podem permanecer depois da cirurgia ou radioterapia. Esse tipo é chamado quimioterapia adjuvante.
* Ajudar a radioterapia e terapia biológica a funcionar melhor.
* Destruir células cancerosas que retornaram (câncer recorrente) ou se espalharam a outras partes do corpo (metástase).
Tipos de quimioterapia de acordo com a forma como é dada.
A quimioterapia pode ser dada de muitas formas:
* Injeções.
* Intra-arterial, a quimioterapia vai direto na artéria que está alimentado o câncer.
* Intraperitoneal, a quimioterapia vai direto na cavidade peritoneal, a área que contém órgãos como intestinos, estômago, fígado e ovários.
* Intravenosa, a quimioterapia vai direto na veia.
* Topicamente, a quimioterapia á dada em creme esfregado na pele.
* Oralmente, a quimioterapia é dada em pílulas, cápsula ou líquidos que são engolidos.
Como o paciente se sente durante a quimioterapia?
A quimioterapia afeta as pessoas de formas diferentes. Como o paciente se sente depende de sua saúde geral antes do tratamento, tipo e estágio do câncer, tipo de quimioterapia e a dose. Algumas pessoas não se sentem bem logo depois da quimioterapia. Um dos efeitos colaterais mais comuns é a fadiga.
Pode-se trabalhar durante o tratamento de quimioterapia?
Muitas pessoas podem trabalhar durante o tratamento de quimioterapia, desde que ele se encaixe na agenda e não sintam-se muito mal. Poder ou não trabalhar depende do tipo de trabalho da pessoa. Se o trabalho permitir, o paciente pode trabalhar meio expediente ou em casa nos dias que não se sentir muito bem. 
Como saber se a quimioterapia está funcionando?
O médico fará exames físicos e testes como exame de sangue e raio-x. Não se pode dizer se a quimioterapia está funcionando baseando-se nos efeitos colaterais. Algumas pessoas acham que a quimioterapia está funcionado bem porque estão tendo muitos efeitos colaterais. Outras podem achar que a quimioterapia não está funcionando bem porque não estão tendo efeitos colaterais. A verdade é que efeitos colaterais não têm relação com eficácia que a quimioterapia está combatendo o câncer.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Contatos

* Nosso Endereço:

* Av. Maria Quitéria, 2.476 – Queimadinha – Feira de Santana – Ba

* CEP  44.040-070

* Telefone: (75) 3226-5132 

Constituições legais e títulos

Estatuto Social Reformulado através de Assembléia Geral e de acordo com leis específicas
atualizadas, com registro em Cartório pertinente, assim como, todos os demais documentos

Certificado do Conselho Municipal de Assistência Social

Utilidade Pública: Municipal, Estadual com as devidas certidões periódicas pelos órgãos
competentes que atestam a permanência)

Extrato do Estatuto Social publicado em Diário

CNPJ atualizado   05.363.115/0001-64





Doações

* Doador fixo

- Através do carnê com contribuição a partir de R$ 10,00 (dez reais) ou depósito bancário na conta da AAPC.

* Conta Bancária:

- Banco: Caixa Econômica Federal, Agência 1611       C/C 0367-0

* Doações eventuais 

- Doação de alimentos – para compor a cesta básica e ajudar nas refeições oferecidas no alojamento. Os pacientes que estão em tratamento de quimio e radioterapia necessitam de uma alimentação saudável para sua recuperação. 

- Roupas e acessórios novos e usados – Contribuir com o bazar, com a campanha do agasalho e fornecer material necessários para as oficinas e cursos desenvolvidos dentro da Associação.

- Material de Limpeza e higiene pessoal – Para compor a cesta básica e utilização no alojamento.

- Material escolar, de escritório e recreação – Para uso das crianças e adolescentes e para utilização nos cursos.

- Encontros beneficentes – Grupos diversos promovem um evento em prol das pessoas com câncer, doando toda sua arrecadação ou parte dela para a AAPC.

* Telemarketing

- Alcançar a sociedade feirense através das ligações telefônicas feitas pelos nossos operadores, levando esclarecimento da dificuldade que o paciente de câncer enfrenta.

Atividades da casa de apoio

* Acompanhamento com psicólogo e psicanalista
* Suporte jurídico – orientação e auxilio através de advogado voluntário
* Encaminhamento social - aquisição do BPC e passe livre no transporte coletivo
* Distribuição de cestas básicas e leite
* Fornecimento de bolsa de colostomia
* Fornecimento de filtros de barro – para os pacientes que não tem água potável em sua residência
* Acompanhamento individual e familiar
* Reiki  e OKI-OME – terapias alternativas
* Iridólogas naturalistas
* Palestras educativas
* Festas comemorativas
* Bazar permanente de Novos e Usados
* Empréstimo de cadeiras de rodas, muletas, etc
* Oficinas de culinária
* Aulas de artesanato
* Cursos e palestras
* Dinâmica de grupos

Projetos

Projeto Hospedeiro - Atende as pessoas carentes que não moram na cidade e vem fazer o tratamento em Feira.  Elas são hospedadas com um acompanhante, recebem as refeições, atendimento psicológico e as provisões necessárias para atenuar o impacto de estarem fora do meio de sua convivência.

Projeto SOS MamaConfecciona prótese mamária para as mulheres mastectomizadas, que não tem condições de adquirir uma prótese de silicone nas farmácias e cirurgia de enxerto. Apesar de a reconstrução mamária imediata ser garantida por lei, nem todas as mulheres a querem ou têm acesso à ela.

Projeto Canguru IConsiste no apoio logístico, ou seja, transportar os pacientes com dificuldades das cidades circunvizinhas, dos distritos, dos bairros assegurando a conclusão dos tratamentos, as visitas residenciais e hospitalares, o transporte das cestas básicas e a freqüência nas atividades da Associação. O SMTT de Feira de Santana concede o passe livre municipal para as pessoas com câncer desde que estejam habilitadas a receber.

Projeto Canguru IIDoação de bolsas de colostomia para os pacientes com câncer de intestino.

O que é a AAPC?

Associação de Apoio a Pessoa com Câncer é uma sociedade civil, sem fins lucrativos ou econômicos, atuando atualmente sito na Av. Maria Quitéria, 2.476, bairro da Queimadinha, CEP: 44.040-070 , nesta cidade de Feira de Santana , Bahia, criada com o objetivo de amparar e trazer  benefícios as pessoas portadora de câncer que se encontram em vulnerabilidade social. “ Levantar a auto estima das pessoas que não têm condições de viver com dignidade”, como diz a presidente Maria Betânia Knoedt.
Trata-se de uma estrutura criada para atender a  crianças, adolescentes, adultos e idosos , propiciar  um melhor enfrentamento da doença, minimizar os problemas  daqueles que sofrem psicosocialmente,  promovendo o exercício da cidadania  a que todos eles têm direito.
·         Apoiar no tratamento a pessoa portadora de câncer, auxiliando-a no  aspecto psicossocial e    financeiro, quando for possível e se carente;
·         Estimular e desenvolver o espírito de equipes  entre os associados, visando um  correto atendimento dos interesses da coletividade assistida, aliado ao respeito e à preservação da ética e da dignidade human
·  Promover ou cooperar na promoção de atividades que  propiciem o   intercâmbio de informações técnicas a pessoa  com  câncer e seus familiares.
·   Doar um pouco do seu tempo  vai   ajudar  a aliviar  as dores e levar esperança para quem passa por momentos difíceis. Ser voluntário é um ato de fé , é doar um pouco de si mesmo  ao outro sem necessitar de remuneração.

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A história do "câncer"


"Analisando pela teoria, o câncer sempre esteve aí", afirma a paleopatologista Sabine Eggers, da Universidade de São Paulo. O câncer, pelo que se sabe hoje, é resultado de mutação genética. Como, desde o início da vida houve mutação, é razoável imaginar que a doença sempre existiu.

A mais antiga evidência de câncer, no entanto, remonta a 8.000 a.C. O tipo mais comum de neoplasia encontrada em fósseis, e ainda assim raramente, é o “osteossarcoma”, um câncer ósseo. "Para encontrar um único caso, é necessário estudar cerca de 5.000 fósseis com joelhos preservados", continua.

As primeiras descrições de tumores foram encontradas em papiros do Egito, e datam de 1.600 a.C. Existem também documentos na Índia, de 600 a.C., que descrevem lesões na cavidade bucal parecidas com câncer. O que fundamenta a teoria é que, por estudos arqueológicos, se sabe que aquela população comia sementes que são cancerígenas.

"Mas não podemos 'botar a mão no fogo", lembra Sabine. "Escritos antigos dos gregos e romanos referem-se, muitas vezes, a palavra 'tumor', mas pode ser qualquer tipo de inchaço ou algo maior do que deveria ser", continua.

Origem da palavra

Foi justamente um grego, Hipócrates, que cunhou a palavra "câncer". O "pai da medicina", como é conhecido, viveu entre 460 e 370 a.C. e usou os termos "carcinos" e "carcinoma" para descrever certos tipos de tumores. Em grego, querem dizer "caranguejo", pelo aspecto do tumor, as projeções e vasos sanguíneos ao seu redor fazem lembrar as patas do crustáceo.

Alguns séculos depois, entre 130 e 200 d.C., viveu Galeno, um médico romano. Considerado a maior autoridade na área por, ao menos, mil anos, ele foi referência no tratamento do câncer. Foi Galeno quem determinou que a doença era incurável e que, uma vez diagnosticada, havia pouco a fazer.

A medicina só começou a ter avanços significativos na Renascença, no século XV, quando floresceram por todos os lados cientistas e artistas, especialmente na Itália.

Michelangelo, um desses artistas, teria retratado em sua famosa escultura "A Noite" (La Notte), uma mulher com câncer de mama. A teoria baseia-se no aspecto disforme de seu seio, que, a considerar a habilidade do escultor, não foi casual.

Novas evidências

Somente no século XVIII o tabu da doença começou a mudar, com John Hunter, cirurgião escocês que sugeriu que alguns cânceres poderiam ser curados por cirurgia. Nesse mesmo século, um médico italiano atentou para o fato de que os hormônios poderiam ter influência sob a doença. Na Inglaterra, um médico escreveu um artigo alertando para os perigos do tabaco, que acabara de virar moda no país. E outro, percebeu que era grande a incidência de câncer na bolsa escrotal entre limpadores de chaminé.

A moderna oncologia desponta somente no século XIX. A descoberta da célula ganhara importância e, em 1867, o médico alemão Matthias Schleiden sugeriu que o câncer seria fruto da divisão de células doentes. Surge a anestesia e a cirurgia se desenvolve; a mastectomia radical, por exemplo, foi criada no final do século. Pesquisas lançaram os fundamentos da hormonioterapia e, em 1896, Wilhelm Röentgen descobriu o raio-X, que lhe valeria o primeiro Nobel de Física.

Armas de combate

Mas é somente no século XX que a pesquisa na área de câncer ganha vigor e as descobertas se intensificam. Em 1903, foram feitas as primeiras aplicações de radioterapia contra tumores. No entanto só a partir da II Guerra Mundial, com o desenvolvimento da medicina nuclear, é que a radioterapia surgiu como tratamento rotineiro contra câncer.

Ainda na I Guerra Mundial, Boveri, um cientista alemão, especulou que o câncer estaria ligado a aberrações no DNA das células. "Naquela época, havia poucas evidências de que o que ele falava seria verdade. Passaram-se cerca de seis décadas até isso mudar", conta Cristine Hackel, pesquisadora do Projeto Genoma Humano do Câncer Brasileiro e professora de medicina na Unicamp.

Outra importante observação levaria, anos mais tarde, à quimioterapia. Estudando o sangue de soldados expostos ao gás mostarda, verificou-se uma grande baixa dos leucócitos ou glóbulos brancos. Durante a II Guerra (1940-45), na busca de um gás mais poderoso, o Exército americano desenvolveu a mostarda nitrogenada, que se revelou eficiente contra certos linfomas. Nessa mesma década, o médico Sidney Farber testava os primeiros agentes quimioterápicos em crianças desenganadas com leucemia.

Essas primeiras drogas eram tão fortes que, por vezes, deixavam as crianças ainda pior, o que rendeu a Farber duras críticas. Sua persistência, no entanto, foi fundamental para desenvolver esse tipo de tratamento. Em 1956, com a ajuda da quimioterapia, aconteceu a primeira cura de um câncer metastático.

Dados mais precisos

A partir de 1960, outras teorias surgiram, como a da angiogênese. Entretanto a medicina ficou intrigada com duas interessantes descobertas; a primeira, referia-se a aberrações cromossômicas, que estariam ligadas a certos tipos de câncer.

"Notou-se, inicialmente, um cromossomo específico em pacientes com um tipo de leucemia", conta Cristine. A partir daí, outras formas de leucemia passaram a ser estudadas e, logo, outros tipos de câncer. "Isso permitia uma visão geral do processo, mas até então, pouco se sabia sobre os genes", continua.

Paralelamente, outros grupos de pesquisadores estudavam os chamados vírus oncogênicos, ou seja, vírus que, especulava-se, seriam causadores de câncer."Esse conhecimento vinha da experimentação com animais que desenvolviam certos tipos de leucemia ou tumores induzidos por vírus", diz Cristine. Ao estudar a seqüência genética desses e de outros vírus, descobriu-se que eles transportavam, na verdade, cópias de genes normais do organismo humano.

Foi a partir da junção dessas duas linhas de estudo que surgiu, então, a teoria dos oncogenes. O ser humano possui genes normais que controlam o crescimento e a divisão celular (os protoncogenes). Por algum motivo, esses genes podem sofrer mutações, ou seja, mudam de lugar, são ativados ou desativados, e alteraram sua função. Cada gene codifica um tipo de proteína que, por sua vez, irá exercer no corpo um "trabalho" específico. Se um gene responsável pela proliferação celular é modificado e produz uma proteína diferente, ele torna-se um oncogene. Essa mutação implicará na base de todo câncer, que é uma reprodução anormal das células.

"Mas nosso organismo tem condições de reconhecer essas lesões no DNA e repará-las; só que esse mecanismo, às vezes, não funciona", explica a pesquisadora. A tendência, aliás, é que, com a idade, funcione cada vez menos. Esse é um dos motivos que explicam o aumento da incidência de câncer em pessoas mais velhas.

O primeiro oncogene foi identificado em 1980. Em 1990, começou o Projeto Genoma Humano, colocando o revolucionário e promissor campo da genética na vanguarda dos estudos da medicina. Logo os cientistas perceberam que esse estudo poderia trazer benefícios para a pesquisa do câncer, originando o Projeto Genoma Humano do Câncer que, no Brasil, teve início em 1999. "A proposta é estudar quais são os genes diferencialmente expressos", teoriza Cristine. Em linguagem simples, o mais novo capítulo da luta contra o câncer consiste em entender quais são as diferenças entre genes normais e oncogenes.

Falta pouco

O século XXI começou com o fim da primeira fase do Projeto, que mapeou a seqüência de milhões de genes. "Agora é preciso refinar essa análise e buscar o significado das seqüências em cada tipo tumoral", afirma. Também é preciso descobrir como funcionam os fatores que induzem as mutações nos genes, desde vírus a poluentes. Até hoje, com poucas exceções, esse conhecimento é apenas estatístico. "Mas é confiável, porque indicam forte associação entre um hábito, como fumar, e um efeito", lembra. "Dificilmente vamos chegar a uma causa única que possa explicar todos os tipos da doença", acredita Cristine.

Fonte: Revista Hands nº 10 - junho / julho 2002.